A expansão do biometano para o transporte e indústria

A expansão do biometano para o transporte e indústria

Escrito por: Antonio Ferro

08/09/2025

O estado de São Paulo tem um potencial para produzir cerca de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, o equivalente a 32% do consumo de gás natural em São Paulo. Essa é a previsão da Fiesp, entidade que congrega o setor industrial paulista. Outro dado informado pela Federação foi que, atingido esse potencial, 20 mil novos empregos poderiam ser criados, além de haver outros ganhos, como a substituição de parte do diesel usado no transporte e a redução das emissões de carbono em até 16%.

 

André Rebelo, diretor-executivo de Gestão da Fiesp, disse que para montar um mercado grande e organizado é preciso de uma massa crítica, o que somente alguns segmentos podem fornecer. Segundo ele, o estudo “Biometano em São Paulo: Potencial e Medidas para Alavancar a Produção”, elaborado pela entidade paulista, tem o objetivo de trazer uma estimativa com uma metodologia clara, identificando tanto o potencial de produção quanto o potencial factível.

Auditório do evento que reuniu especialistas, autoridades e interessados no avanço do Biometano, na sede da FIESP, em São Paulo (Reprodução: Marcelo Valladão/ Canal FIESP nas redes sociais)

 

Recentemente, durante a apresentação do referido estudo, houve um consenso de que o biometano não concorre, mas complementa outras soluções, como a eletrificação e o futuro uso do hidrogênio verde, sendo necessário investimentos em logística, certificação de origem e incentivos fiscais, além de alinhar políticas de oferta e demanda.

 

A origem do biometano pode ser diversa – do lixo, esgoto, dejeto animal e da vinhaça da cana-de-açúcar -, o que representa um enorme potencial brasileiro, pois o País tem de sobra essas diversas fontes. Para o diretor-comercial e de logística da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única), Helder Gosling, as usinas sucro-alcooleiras se transformaram e expandiram sua atuação. “Elas não são mais unidades de produção de açúcar e álcool, mas também de energia elétrica, etanol e, agora, de biometano”, pontuou.

 

Representando a capital paulista, o secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, José Renato Nalini, apresentou algumas iniciativas do poder municipal. De acordo com ele, a cidade já opera 27 carretas e 22 caminhões movidos a biometano, economizando 65 mil litros de diesel por mês e reduzindo 95% das emissões de CO², o equivalente ao plantio de 134 mil árvores por ano. “Com a expansão da produção seria possível abastecer metade da frota de ônibus da capital”, sintetizou.

 

Tiago Santovito, diretor-executivo da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), destacou a iniciativa do estado de São Paulo como fundamental para alavancar esse mercado. “São Paulo vai liderar a produção de biometano. Hoje temos a capacidade de instalar 400 mil metros cúbicos por dia, mas até 2030 o potencial pode chegar a 6 milhões de metros cúbicos no estado”, diz ele.

 

Contudo, o grande entrave, de acordo com Santovito, reside na infraestrutura logística. “O Brasil é um território extenso. Precisamos de rodovias, dutos e sistemas que conectem oferta e demanda”, explicou.

 

Durante o 12º Fórum do Biogás, realizado há poucos dias em São Paulo (SP), a transição energética do transporte coletivo urbano foi ressaltada como oportunidade para que o biometano tenha maior presença em escala comercial. O biocombustível já entrou na agenda de descarbonização da maior metrópole brasileira, como uma alternativa à eletrificação de ônibus e caminhões de coleta de resíduos.

 

Com isso, por meio de decreto municipal, institui-se o programa Bio SP, com regras para aquisição de biometano e sua incorporação progressiva no transporte coletivo. Além disso, esse instrumento público pode fomentar o potencial de geração do gás renovável por intermédio de resíduos urbanos da cidade, e do setor sucroenergético do estado.

 

De acordo com dados da ABiogás, apenas os resíduos produzidos na cidade de São Paulo poderiam substituir 50% do diesel consumido pelo transporte público municipal.

 

Ainda, no contexto do transporte de passageiros, o governo paulista (por meio do plano estadual de energia que prevê descarbonizar a economia até 2050) tem interesse em proporcionar o uso do biometano em diversas frentes, inclusive em ônibus rodoviários. Um exemplo pode ser visto com o projeto piloto de sustentabilidade ambiental proporcionado pela Viação Santa Cruz em parceria com a Scania e a Comgás.

 

O intuito é fazer uma avaliação, por seis meses, da operação numa rota fixa, ligando São Paulo à Campinas, distantes 100 km, onde os aspectos financeiro e técnico serão conhecidos para que haja a viabilidade desse conceito de descarbonização.

 

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