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Escrito por: Mauro Herszkowicz
15/05/2026
Há uma diferença nítida entre os atos de ver e enxergar. Se o primeiro é uma mera ação fisiológica e automática de captar imagens, o enxergar está relacionado ao ato de compreender, distinguir detalhes e focar com nitidez a visão.
Neste ano, a campanha do Movimento Maio Amarelo, do Observatório Nacional De Segurança Viária, em sua 13ª edição, chama a atenção para o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas, visando alterar o cenário crítico do trânsito brasileiro, onde pedestres e motociclistas se mostram os mais vulneráveis aos sinistros nos deslocamentos urbanos.
Dados do INFOSIGA, do Detran -SP, apresentam esta realidade: de janeiro a março deste ano, o trânsito no Estado de São Paulo já causou 1330 óbitos, sendo 594 motociclistas, 334 pedestres, 261 ocupantes de automóveis e 66 ciclistas. A ausência de números significativos do transporte público indica, claramente, que este é o meio mais seguro para os deslocamentos da população.
No entanto, o transporte coletivo continua perdendo passageiros e espaço nos sistemas viários das grandes cidades brasileiras. De acordo com a Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de Mobilidade da População Urbana, em 2017 os ônibus respondiam por 45% das viagens, número que caiu para 31% em 2024. Já os automóveis e as motocicletas passaram a responder, respectivamente, por 30% e 11% das viagens, em 2024, números que eram de 22% e 5%, respectivamente, em 2017.
Cidades inteligentes e com trânsito mais seguro usam a tecnologia e o planejamento urbano para tornar o transporte coletivo mais eficiente, acessível e atrativo que o transporte individual, reduzindo congestionamentos, poluição e tempo perdido.
Para o setor, as novas regras contidas no Marco Legal do Transporte Público Coletivo deverão melhorar o atendimento de ônibus, trens e metrôs, trazendo significativas alterações na forma de contratação e na organização, planejamento e financiamento dos serviços, tendo como foco principal o passageiro e suas reais necessidades de deslocamento.
Amplamente debatido desde 2021, o Marco Legal foi finalmente aprovado, nesta última quarta-feira (13), na Câmara dos Deputados e seguirá para sanção presidencial. A proposta poderá destravar a mobilidade urbana no Brasil, promovendo a necessária melhoria na qualidade dos serviços, com modicidade tarifária, integração entre os modos de transporte e um modelo de desenvolvimento que enxergue que a prioridade é o coletivo e não o individual.
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